A capoeira, a ancestralidade e o fortalecimento da comunidade estarão no centro da programação do Festival Movimentaí 2026, em Salvador. No dia 14 de novembro, o Colégio Estadual Roberto Santos recebe a quinta edição da Feira Cultural Comunitária, iniciativa promovida pela Associação Cultural de Capoeira Movimento de Corpo.
Com entrada gratuita, o evento reunirá atividades culturais, oficinas abertas, apresentações, gastronomia e exposição de produtos artesanais. A programação também terá o tradicional batizado e a troca de graduação dos alunos atendidos pelo projeto.
À frente da associação, o Professor Daniel destaca que a realização da feira dentro de uma instituição pública de ensino amplia o acesso à cultura e cria um espaço de acolhimento para crianças e jovens da comunidade. "Dentro de um espaço público, como a Escola Estadual Roberto Santos, a ação é de extrema importância porque acolhe uma parcela da sociedade que realmente precisa de apoio e de conhecer a nossa história de forma realista. Trazemos a importância da nossa ancestralidade, das nossas raízes e lutas que, muitas vezes, a grade tradicional não contempla", afirma o educador.
Capoeira como ferramenta de formação
Para Daniel, o trabalho desenvolvido pela associação não se limita à prática esportiva ou aos movimentos realizados nas rodas. A capoeira, segundo ele, também contribui para a formação cidadã dos participantes.
"Cobramos muito sobre educação, bom comportamento e desempenho nos estudos. A capoeira atua como uma base muito forte na formação do caráter, incentivando crianças e jovens a exercerem sua cidadania plena e buscarem uma perspectiva sólida de futuro."
A proposta da feira é justamente aproximar essa formação cultural da comunidade, criando um espaço em que diferentes gerações possam participar das atividades e conhecer aspectos da tradição afro-brasileira.
Tradição que atravessa gerações
A Associação Cultural de Capoeira Movimento de Corpo segue uma linhagem ligada ao Mestre Paulo dos Anjos, referência da capoeira baiana cuja trajetória está associada à tradição do Mestre Canjiquinha e do Mestre Aberrê.
Para o Professor Daniel, essa herança histórica também está presente na maneira como o grupo organiza suas atividades. O princípio da coletividade é apontado por ele como um dos principais fundamentos levados para a Feira Cultural Comunitária. "O principal fundamento que levaremos para a feira é a união. Sem união, não seria possível realizar uma mobilização desse porte. Precisamos dos pequenos empreendedores expondo seus trabalhos e dos mestres compartilhando suas vivências com toda a comunidade presente", explica.
A participação de empreendedores locais também amplia o caráter comunitário da iniciativa. A feira cria espaço para a divulgação e comercialização de produtos produzidos na própria região, aproximando cultura e economia de base comunitária.
Programação terá capoeira, Maculelê e oficinas
Além das rodas de capoeira, o público terá acesso a uma programação diversificada durante o evento.
Entre as atividades previstas estão:
- apresentações teatrais;
- vivências de Maculelê;
- cerimônia de batizado e troca de graduação dos alunos;
- oficinas de musicalidade;
- vivências de percussão de capoeira;
- atividades relacionadas a ritmos;
- contação de histórias;
- pintura e atividades lúdicas para crianças;
- feira de produtos artesanais;
- exposição e venda de instrumentos tradicionais;
- gastronomia produzida por empreendedores do bairro.
A proposta é reunir diferentes linguagens culturais em um mesmo espaço e oferecer atividades tanto para quem já possui contato com a capoeira quanto para pessoas que desejam conhecer a manifestação pela primeira vez.
Falta de sede própria é um dos desafios
Apesar da importância das atividades, a manutenção de projetos culturais comunitários envolve dificuldades estruturais e financeiras. De acordo com o Professor Daniel, a associação ainda não possui uma sede própria, o que limita horários e espaços disponíveis para as atividades.
O grupo também enfrenta demandas relacionadas à aquisição de fardamentos e instrumentos musicais, itens necessários para a continuidade do trabalho.
A própria feira, segundo Daniel, possui um caráter principalmente comunitário e não representa uma fonte direta de lucro para a organização.
"A feira é uma iniciativa essencial para dar visibilidade aos pequenos produtores da região, mas não gera lucro direto para a organização do grupo. O nosso retorno financeiro pontual vem da venda de instrumentos e artigos próprios", explica.
Parcerias ajudam na realização do evento
A realização da Feira Cultural Comunitária conta com o apoio de parceiros locais. Entre eles está a coordenação do Centro Social Urbano (CSU), que contribui com a cessão de estruturas e barracas para a realização da atividade.
A divulgação também conta com canais comunitários e de comunicação local, ampliando o alcance da programação e aproximando o evento dos moradores da região.
Para Daniel, a articulação entre diferentes setores da comunidade é fundamental para manter iniciativas culturais desse tipo.
"A capoeira é resistência, é cultura, é educação e, acima de tudo, transforma vidas. Ela fortalece o território e mantém pulsante a memória dos nossos ancestrais", afirma.
Festival Movimentaí
Realizado desde 2022, o Festival Movimentaí integra iniciativas culturais e comunitárias voltadas à participação da população e à valorização de manifestações culturais.
A Feira Cultural Comunitária chega à sua segunda edição dentro da programação do festival, mantendo a capoeira como um dos principais elementos de conexão entre educação, cultura, ancestralidade e comunidade.
Serviço
Evento: Feira Cultural Comunitária – Festival Movimentaí 2026
Data: 14 de novembro de 2026
Local: Colégio Estadual Roberto Santos, Salvador (BA)
Entrada: gratuita e aberta ao público
Realização: Associação Cultural de Capoeira Movimento de Corpo e parceiros comunitários
Programação: capoeira, Maculelê, apresentações teatrais, oficinas, batizado e graduação de alunos, atividades infantis e feira de empreendedores locais.


