O Ministério da Saúde monitora dois casos suspeitos de Doença pelo Vírus Ebola (DVE) no Brasil, sendo um registrado no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Os pacientes estiveram recentemente em países africanos e apresentaram sintomas que podem estar associados a doenças infecciosas graves. Apesar disso, até o momento, nenhum dos casos teve confirmação para ebola.
As apurações contam com a atuação conjunta de órgãos federais, estaduais e municipais de saúde, que seguem rigorosamente os protocolos internacionais de vigilância epidemiológica para a investigação dos casos.
Rio de Janeiro
O caso investigado no Rio de Janeiro envolve um viajante que chegou ao Brasil vindo de Uganda no dia 22 de maio. Após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ele seguiu de ônibus para a capital fluminense.
Dias depois, o paciente buscou atendimento médico ao apresentar sintomas como calafrios, tosse e diarreia. Como Uganda possui áreas com histórico de circulação do vírus Ebola, as autoridades de saúde iniciaram imediatamente o protocolo de investigação da doença.
O homem foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), unidade de referência nacional no tratamento e monitoramento de doenças infecciosas. No sábado (30), exames laboratoriais confirmaram o diagnóstico de malária. Além disso, testes realizados com amostras de saliva e urina descartaram, até o momento, a presença do vírus Ebola.
O exame de sangue, apontado como o método mais confiável para confirmar ou descartar definitivamente a infecção pelo vírus Ebola, segue em análise. De acordo com o Ministério da Saúde, a chance de um resultado positivo após os testes iniciais negativos é considerada remota.
As autoridades também destacam que o histórico de viagem do paciente contribui para reduzir o nível de preocupação. Segundo seu relato, ele não passou por regiões de Uganda com registros recentes da doença e tampouco teve contato conhecido com pessoas infectadas pelo vírus.
Cinco pessoas que estiveram hospedadas no mesmo local que o paciente seguem sob acompanhamento das autoridades de saúde. Até o momento, nenhuma delas apresentou sintomas compatíveis com a doença.
São Paulo
Em São Paulo, as autoridades de saúde acompanham o caso de um homem de 37 anos que retornou recentemente da República Democrática do Congo. O paciente procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) após apresentar febre alta.
Os primeiros exames para malária não permitiram uma conclusão definitiva e, devido à evolução do quadro clínico, ele foi encaminhado ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no estado para o tratamento de doenças infecciosas. De acordo com o Ministério da Saúde, o paciente deu entrada na unidade com sintomas como diarreia, desorientação e rápida deterioração do estado de saúde, sendo necessária a realização de intubação.
Durante a apuração do caso, exames laboratoriais confirmaram que o paciente foi diagnosticado com meningite meningocócica. Ainda assim, os protocolos de investigação para Ebola permanecem ativos até a conclusão de todas as análises necessárias.
Paralelamente, as autoridades de saúde buscam identificar a província da República Democrática do Congo onde o homem esteve antes de desembarcar no Brasil. O dado é considerado fundamental para uma avaliação mais precisa do risco epidemiológico associado ao caso.