Ele conta sua história e as dificuldades encontradas estando no país europeu
Samuel Mattos segura animal enquanto servia / Foto: Arquivo Pessoal
Morador de Dom Avelar, bairro vizinho a Castelo Branco, Samuel Mattos, 45, saiu de sua cidade natal e foi à Guerra da Ucrânia, na Europa em busca de melhores salários e estabilidade financeira. Em Salvador, Mattos trabalhava como Técnico em Enfermagem, cuidador, fazia alguns extras como Bombeiro Civil e algumas palestras sobre primeiros socorros, forma que ele encontrou para complementar sua renda.
Mas foi nas redes sociais que Samuel descobriu uma alternativa de aumentar sua renda, quando viu uma postagem sobre o recrutamento para fazer parte do exército ucraniano; salários e o que seria necessário para integrar a equipe. Mattos conta que passou pelo recrutamento e logo foi esperar o voo que o levaria até o destino final: "Fui recebendo as instruções após a minha aprovação, ai fui para o Aeroporto de São Paulo, depois Instambul, na Turquia. Depois, Moldávia e, por último, Polônia e de lá o exército (ucraniano) foi buscar não só a mim como mais de 100 brasileiros" conta.
VIDA NA UCRÂNIA
Chegando ao país europeu, Samuel percebeu que muito do que foi vendido no recrutamento não foi cumprido. Segundo ele, os soldados que estavam lá chegaram a ficar cerca de dois meses para receber o primeiro salário. Além disso, quando enfim o dinheiro chegou à sua conta estava em desfalque "o valor não veio corretamente, até hoje o exército me deve" afirma Mattos.
Outros problemas surgiram e desgastaram a vontade do homem de permanecer no local, como atividades fora do previsto e os soldados não podiam sair do batalhão. O baiano ainda reforça que se precisasse de algo para comprar era necessário pedir a terceiros.
Samuel Mattos posa para foto com a bandeira do Brasil na Ucrânia / Foto: Arquivo Pessoal.
"Às vezes nem dava para tomar banho, ficávamos três ou quatro dias sem poder banhar. Já a alimentação, apesar de 4 refeições, eram sempre feitas à base de cevada e nem sempre eram boas." conclui.
Mattos conta ainda que, ao solicitar baixa do Batalhão, a autorização só veio após 1 mês, o que o deixou ainda mais infeliz. Ele diz que precisou retornar ao Brasil sem uma autorização prévia por conta de toda burocracia e demora da liberação.
A VOLTA AO SEU PAÍS DE ORIGEM
Todo o desgaste relatado, somado à saudade de sua família, levou Samuel Mattos a retornar ao Brasil. Ao chegar a Salvador, o ex-combatente foi recebido pela sua família e postou um vídeo emocionante em suas redes sociais do reencontro com sua filha.
Com o retorno, ele pretende fazer lives nas redes a pedido dos seguidores, com o intuito de alertar homens que buscam seguir esse caminho e mostrar os problemas que podem ser encontrados "estarei fazendo uma Live porque muitas pessoas estão me procurando.. evitando assim que um pai de família, mesmo com sonho, pense antes de ir" completa.
Para fechar, Mattos deixou uma mensagem, já que está à procura de um emprego e vê uma oportunidade com a matéria "Meu intuito é, também, com esta matéria, conseguir um emprego uma vez que agora estou desempregado, dependendo do resto do salário que exército ucraniano ainda não pagou" completou.
