Após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que uma “civilização inteira morrerá esta noite”, o Irã decidiu suspender as negociações com os norte-americanos.
Segundo a TV estatal do Irã, as conversas e negociações indiretas avançavam de forma positiva, mas acabaram sendo interrompidas.
Para a agência de notícias Reuters, um funcionário do governo afirmou que “querem que o Irã se renda sob a pressão dos ataques”.
Já o jornal estatal Teheran Times informou que “toda a comunicação foi suspensa”.
O The Wall Street Journal destacou que toda a diplomacia e as comunicações diretas entre os dois países foram interrompidas. Apesar disso, a reportagem aponta que as conversas com mediadores ainda continuam.
Além disso, o Irã comunicou ao Paquistão que não participará mais das negociações sobre um cessar-fogo, segundo três altos funcionários iranianos citados pelo The New York Times.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta terça-feira (7). Em uma publicação na rede social Truth Social, ele afirmou que “provavelmente” uma “civilização inteira morrerá esta noite”.
Trump também declarou que, com novas lideranças no regime, “algo revolucionário e maravilhoso pode acontecer”.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim”, escreveu.
Donald Trump ameaçou, nesta terça-feira (7), destruir completamente o Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até as 21h (horário de Brasília). A passagem é um dos principais corredores marítimos do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de 20% das exportações globais de petróleo.
Nesta segunda-feira (6), o governo dos Estados Unidos e o regime do Irã rejeitaram um plano de cessar-fogo proposto pelo Paquistão. O presidente Donald Trump afirmou que, caso não seja alcançado um acordo considerado aceitável ainda hoje, pontes e usinas de energia iranianas poderão ser destruídas em poucas horas.
Trump também declarou não se preocupar com possíveis acusações de crimes de guerra caso os Estados Unidos atinjam alvos civis, como instalações elétricas. Segundo ele, o verdadeiro crime de guerra seria permitir que um país liderado, em suas palavras, por governantes “dementes” tenha acesso a armas nucleares.
Em outro momento da entrevista coletiva na Casa Branca, Donald Trump afirmou que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã, mas ressaltou que a população americana deseja o fim do conflito.
Em resposta, o Exército iraniano classificou as ameaças como delirantes e declarou que elas não compensam a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.
O prazo que se encerra hoje faz parte de um ultimato que já foi adiado quatro vezes por Trump desde 21 de março.
A poucas horas do fim desse prazo, os confrontos continuam com novos ataques. Um bombardeio na província de Alborz, próxima a Teerã, deixou ao menos 18 mortos e 24 feridos. A capital iraniana também foi alvo de ataques intensos, inclusive em áreas residenciais e no Aeroporto Internacional de Khorramabad.
O ministro do Patrimônio Cultural do Irã enviou uma carta à UNESCO pedindo a condenação de uma suposta ameaça de ataque de Israel ao sistema ferroviário do país.
A ferrovia trans-iraniana, que liga o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, é considerada patrimônio mundial e, segundo o governo, qualquer ataque representaria uma agressão ao patrimônio da humanidade.
Entre a população, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reforçou um discurso de mobilização total. Ele afirmou que 14 milhões de pessoas se voluntariaram para morrer na guerra e declarou que também está disposto a dar a própria vida.
Créditos: CNB / Globo
