O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez ameaças após novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra o território iraniano na noite de ontem. Segundo ele, os países do Golfo Pérsico “não servirão mais de base” para tropas militares norte-americanas.
O que aconteceu
Mojtaba Khamenei reagiu aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e declarou que “não haverá retorno”. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, o líder afirmou ainda que os países do Golfo Pérsico deixarão de servir como proteção para as bases militares norte-americanas na região.
Na declaração, Mojtaba também disse que os EUA vêm perdendo influência no Oriente Médio, “afastando-se cada vez mais de seu antigo status”. O líder iraniano não aparece publicamente desde o fim de fevereiro, período em que o Irã foi alvo de bombardeios e seu pai, Ali Khamenei, morreu.
A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter derrubado um drone norte-americano que teria invadido o espaço aéreo do Irã. Segundo o regime iraniano, a aeronave abatida era um modelo MQ-9, drone militar não tripulado utilizado pelos Estados Unidos. Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou sobre o caso.
O governo iraniano também ameaçou reagir a possíveis violações do cessar-fogo, afirmando que o país mantém o direito “legítimo e definitivo” de retaliar caso o acordo seja descumprido pelos EUA.
Já os Estados Unidos alegaram ter atuado em “legítima defesa”. Em comunicado, o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) informou que os ataques tiveram como alvo áreas de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que, segundo os militares, tentavam instalar minas na região.
Cessar-fogo instável e divergências
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que manteve conversas telefônicas com líderes de países do Golfo, além de representantes da Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão. Segundo o republicano, ele também falou separadamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em uma ligação que classificou como “muito positiva”.
Nos últimos dias, veículos da imprensa norte-americana têm apontado diferenças de estratégia entre os dois aliados. Enquanto Trump demonstrava preferência pela via diplomática, o governo israelense defendia a retomada das hostilidades.
Estados Unidos e Irã oficializaram um cessar-fogo de duas semanas em 8 de abril. O acordo, porém, foi considerado por especialistas como “extremamente frágil”.
As delegações dos dois países se reuniram presencialmente apenas uma vez, em 11 de abril, para discutir um possível acordo definitivo de paz. Após mais de 20 horas de negociações, os representantes deixaram a cidade de Islamabad sem consenso. Desde então, as conversas entre os dois lados passaram a ocorrer com mediação do Paquistão.
O Irã também afirmou que houve avanços nas negociações com os Estados Unidos antes dos ataques recentes. “É verdade que alcançamos entendimento sobre grande parte dos temas discutidos. Mas dizer que um acordo está próximo de ser assinado é algo que ninguém pode garantir”, declarou Esmaeil Baqaei durante entrevista coletiva realizada mais cedo.
