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‘Tentar enfrentar sozinho torna tudo mais difícil’, alerta especialista sobre dependência química

Super Admin
26 de Novembro, 2025
Saúde
‘Tentar enfrentar sozinho torna tudo mais difícil’, alerta especialista sobre dependência química

Caminho para a recuperação envolve tratamento especializado, apoio familiar e mudanças de hábitos

A dependência química é uma doença crônica, progressiva e potencialmente fatal se não for tratada de forma adequada. Segundo a psicóloga Aline Gonzaga, gestora técnica da clínica Vale Viver, a recuperação exige acompanhamento médico, suporte psicológico e motivação pessoal. A especialista alerta ainda para a importância do envolvimento familiar no tratamento.

A psicóloga explica que a dependência química afeta não apenas o indivíduo, mas todo o seu entorno emocional. “Muitas vezes, os familiares tentam ajudar, mas acabam adoecendo junto e se tornando codependentes”, observa.

Por isso, ela defende que a família também participe do tratamento, recebendo orientação e suporte psicológico. “Quando a família entende a doença e sabe como agir, ela se torna um fator de proteção, e não um obstáculo, para a manutenção da sobriedade”, afirma.

“Tentar enfrentar sozinho torna tudo mais difícil. O acompanhamento de um especialista é essencial”, destaca a psicóloga. Ainda de acordo com a especialista, o sucesso do tratamento é medido pela capacidade de o paciente manter-se em abstinência. “Quanto mais tempo a pessoa permanece longe da substância, mais fácil se torna manter a sobriedade, pois os sintomas de fissura vão se tornando mais leves”, explica.

Entre as estratégias eficazes estão o acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia e a participação em grupos de apoio — todos considerados pilares fundamentais para a recuperação.

Disciplina como libertação

Durante o processo de recuperação, a adoção de uma rotina mais disciplinada é essencial para sustentar a sobriedade. No entanto, Aline Gonzaga alerta que essa estrutura não deve ser confundida com limitação. “A verdadeira prisão ocorre quando a pessoa está no uso ativo da droga, quando todas as suas escolhas são determinadas pela substância”, explica.

Segundo ela, a disciplina deve ser vista como uma forma de liberdade. “Mudanças de hábitos — como evitar certos ambientes e pessoas — não são restrições, mas uma forma de construir uma vida consciente, organizada e com novas possibilidades. A disciplina protege contra recaídas e permite reconstruir a autonomia.”

Quando um vício substitui outro

Um dos maiores desafios após o fim do uso de substâncias é evitar a chamada migração das compulsões — quando o cérebro substitui uma dependência por outra. “Quando a pessoa interrompe o uso de uma substância sem reorganizar sua forma de pensar, sentir e se comportar, ela pode desviar essa necessidade para outra compulsão: comida, álcool, compras, jogos, sexo ou até atividade física excessiva”, explica o psicóloga.

Por isso, ela reforça que o tratamento não pode se limitar a parar de usar a droga. “É indispensável o acompanhamento psiquiátrico e psicológico para reorganizar os padrões emocionais e evitar que uma dependência seja trocada por outra”, diz.

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